Medo? Relaxe, não vai doer.

odontofobia

Quem nunca sentiu medo ou repulsa pelo ensurdecedor barulhinho do micromotor? Ou então aquele frio na barriga quando o dentista diz “teremos que anestesiar”? Atire a primeira pedra quem nunca sentiu. Que é comum essa velha frase “tenho medo de dentista” todos nós sabemos, mas o que talvez não saibamos é a origem da Odontofobia.

O medo de dentista é um fenômeno conhecido há centenas de anos. As primeiras crônicas remontam à Idade Média, quando o imaginário popular relegava ao “tiradentes” um papel inferior e mais ambíguo que o de seus “colegas” médicos. Ele era na maioria das vezes um ambulante: em companhia de ilusionistas, malabaristas e músicos, percorria feiras e mercados, de cidade em cidade, exibindo-se em palcos. Desse modo o público podia admirar a maestria do exercício de sua especialidade.

De fato, naquele tempo, haviam motivos reais para ter medo do dentista, mas hoje, a ciência e a tecnologia evoluíram muito para reduzir a dor e o desconforto, bem como a consciência a respeito da importância de manter uma relação de delicadeza e confiança com os pacientes. Ainda assim, o medo antigo permanece. Os inúmeros estudos que procuraram quantificar a difusão desse medo chegaram mais ou menos à mesma conclusão: quase 50% da população vai ao dentista com certa dose de ansiedade.

Dentista do século XIX

Dentista do século XIX

As primeiras experiências odontológicas, ainda na infância, são de grande importância no plano psicológico. Quando associadas com sensações de dor, contribuem decisivamente para a formação do sentimento de medo e para as posteriores resistências a enfrentar os procedimentos odontológicos. Associar as experiências traumatizantes com mensagens, vinculando-as à punição por comportamento inadequado, parece contribuir também para agravar o sentimento de medo.

Os profissionais da área reconhecem que, por mais que tenha havido um grande desenvolvimento nas bases científicas e tecnológicas dos processos de trabalho odontológico, a experiência de sentar na cadeira de um dentista continua não sendo das mais agradáveis.

dentistas antigos

Bridgeman Art Library / Louvre, Paris, France

Características

É comum que crianças fiquem assustadas na primeira consulta, principalmente se adultos lhes disseram que os profissionais usam brocas e aplicam injeções. Isso é um erro! É imprescindível uma conversa com a mesma antes de encarar um dentista, tentar tranquilizá-la ao máximo possível, explicando que, dentro daquela sala não existe bicho papão esperando-a com ferramentas estranhas e pronto para arrancar seu dente e sim, alguém que irá fazer passar a dor matando o bichinho dentro dele.

criança medo

É apenas na idade adulta que os medos se transformam em ansiedade e apresentam leve aumento na pressão sanguínea, suor frio e só, mas há, no entanto, os que enfrentam sinais e os comportamentos típicos da odontofobia: a reação física não controlada, associada à figura do dentista e ao tratamento. Entre eles estão suores abundantes, taquicardia e aumento da pressão arterial. Ou o contrário: queda repentina de pressão, palidez e, às vezes, desmaio. Nesse caso, em geral, a consulta é adiada.

Mas, na maioria das situações, quem passou por uma desventura dessa natureza tende a adiar eternamente o novo atendimento. Para interpretar esses casos foram levantadas muitas hipóteses. Segundo a professora Ruth Freeman, pesquisadora da faculdade de odontologia da Queen’s University de Belfast, “a odontofobia pode ser o resultado de um duplo processo: uma falsa conexão e um deslocamento psíquico”. A primeira se instaura entre um objeto ou uma lembrança associada ao evento traumático sofrido geralmente na infância, no qual, na maioria das vezes, a pessoa se sente impotente. Já o deslocamento é a transferência da ansiedade provada naquela circunstância negativa para a sala do dentista. A sensação de impotência e até vergonha por ficar com a boca aberta, nem sequer podendo falar, provavelmente contribui para o mal-estar.

Vença o medo!

Escolha um profissional de sua confiança
É importante confiar no profissional, principalmente se você já teve alguma experiência desagradável em tratamentos odontológicos. E, se necessário, procure outro especialista com o qual se sinta mais à vontade.

exame_clinico

Fale sobre seu medo
Falar sobre como sente o problema às vezes é suficiente para aliviar a tensão. Hoje muitos dentistas estão preparados para lidar com ansiedades dos clientes; por isso, logo na primeira consulta é importante expor receios e inseguranças. Se não bastar, um psicólogo pode ajudar.

Não sinta vergonha
Muitas pessoas ficam constrangidas e escondem seu medo de submeter-se ao tratamento odontológico. É importante saber que você não está sozinho: a odontofobia é um problema frequente, e os homens, em particular, ficam bem mais tranquilos quando admitem essa dificuldade e percebem que ter medo não diminui de forma alguma sua virilidade.

O que assusta mais
Muitas vezes o medo parece difuso, o que faz com que se torne maior e mobilize grande energia. Por isso, em muitos casos é útil discriminar esse sentimento, identificando o que provoca mais incômodo no tratamento: a injeção, o cheiro típico do consultório, o temor de sentir dor mesmo sob efeito da anestesia ou outro aspecto qualquer.

Sem compromissos
Para as pessoas que enfrentam grande desconforto com o tratamento, a consulta entre um compromisso e outro pode ser ainda mais estressante. Em geral, marcar um horário quando estiver menos sobrecarregado ajuda a chegar ao consultório mais relaxado. Para algumas pessoas é preferível uma hora pela manhã, já que com o passar do dia as fantasias assustadoras tendem a aumentar.

A informação pode ajudar
Você pode pedir ao dentista que lhe explique cada passo do tratamento e combinar com ele um sinal para que interrompa a ação caso a dor fique muito forte; geralmente, o fato de sentir que tem a situação sob controle o ajuda a sentir-se mais seguro.

Tente relaxar
Não consuma alimentos ou bebidas excitantes, como café, chá-mate ou refrigerantes, pouco antes da consulta. É conveniente evitar estas substâncias também na noite anterior, já que a ideia é dormir bem e chegar ao consultório descansado.

sem medo de dentista

Visitas mais frequentes, menos problemas
É recomendável fazer duas consultas de rotina por ano. Esta assiduidade, somada a uma higiene bucal correta com uso constante de fio dental e enxaguante, costuma reduzir a necessidade de intervenções mais invasivas e, portanto, mais temíveis.

E não esqueça, a odontofobia é uma barreira pisicológica que deve ser compreendida, respeitada e tratada.

 

Referências: http://143.107.240.24/departamentos/social/legal/revista/8.dpf; http://novohamburgo.org

Imagens: Google e livros

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