Quebrou? Conserta!

Como lidar com as urgências em traumatismos dentários? Nunca saberemos quando esse fatos irão ocorrer, por isso, o melhor é sempre estar preparado!

O objetivo desse texto é fornecer informações atualizadas sobre traumatismos dentários quanto à conduta clínica e procedimentos, classificação e características, com o objetivo de promover o bem-estar das crianças envolvidas e de suas famílias.

O traumatismo dentário é uma situação de urgência, frequente nos consultórios odontopediátricos. Muitas vezes, porém, o atendimento que deveria ser imediato não é efetivamente realizado devido à falta de conhecimento de pais e responsáveis ou pelo fato de o primeiro atendimento ser realizado em prontos-socorros, clínicas médicas ou postos de saúde. Esses fatores, associados à falta de conhecimento dos profissionais de saúde sobre traumatismos dentários, ocasionam adiamento da avaliação pelo cirurgião dentista afetando o seu prognóstico.

Consideram-se lesões traumáticas dentárias desde uma simples fratura em esmalte até a perda definitiva do elemento dentário. Existe uma predominância de traumatismos dentários em indivíduos do sexo masculino, especialmente em idade escolar e em fase de crescimento, como consequência de quedas, brigas ou lutas, acidentes esportivos, automobilísticos, traumatismos com objetos e maus tratos. Situações
de urgência envolvendo cabeça e pescoço frequentemente se tornam experiências dramáticas para os pais e para as crianças.

A classificação e as características clínicas

Nas fraturas em esmalte e dentina sem exposição pulpar, é dispensável o atendimento de urgência, pois a literatura mostra que o prognóstico é favorável mesmo quando o tratamento é tardio; entretanto, o atendimento odontológico é necessário para avaliação e tratamento do caso. Fratura coronária com exposição pulpar, luxação intrusiva, concussão, subluxação e traumatismo em dentes decíduos (“dentes de leite”) são considerados de gravidade moderada; entretanto, necessitam de atendimento imediato. Avulsão, fratura radicular e fratura alveolar são consideradas situações agudas mais sérias e também devem receber atendimento imediato.

O atendimento de urgência nos traumatismos dentários considerados agudos garante melhor prognóstico do caso, evitando que ocorra necrose pulpar ou perda precoce do elemento dentário. Em qualquer caso considerado agudo, o paciente deve ser imediatamente encaminhado a um cirurgião- dentista para que sejam realizados os procedimentos necessários com materiais adequados.

É alta a frequência de traumatismos dentários em crianças e adolescentes. Indivíduos que apresentam selamento labial inadequado e que possuem protrusão da maxila maior que 5mm em relação à mandíbula são mais suscetíveis à ocorrência de traumatismos dentários.


Segundo Proprokowitsch et al, em um estudo realizado na Clínica Endodôntica da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo em 1995, dentre os traumatismos dentários da dentadura permanente, a fratura coronária sem exposição pulpar ocorreu com maior frequência (23%), seguido de avulsão dental (21%), subluxação (12%) e fratura radicular (9%). Concussão, fratura coronária com exposição pulpar, luxação intrusiva, extrusiva, lateral e fratura de esmalte somaram os 35% restantes, com maior prevalência no sexo masculino (66%) e faixa etária de 7 a 10 anos (40%).

Esquema mostrando as várias formas de traumatismo dental.

As consequências dos traumatismos dentários em dentes permanentes podem ser: alteração de cor, mobilidade, necrose pulpar, reabsorções ósseas e dentárias – se não tratado adequadamente –, o que pode ser ocasionada pela falta de tratamento imediato ou pelo prognóstico individual do caso.

Condulta e procedimentos

A experiência do profissional é essencial para o bom andamento do tratamento após o traumatismo. É necessário, inicialmente, acalmar os pais e o paciente para que se consiga obter informações precisas durante a realização da anamnese, com vistas a estabelecer um diagnóstico preciso e confiável, por meio de perguntas simples sobre onde, como e quando ocorreu o traumatismo.

O elemento dentário avulsionado – dente que foi projetado de seu “receptáculo” o osso alveolar e até mesmo da cavidade bucal, deve ser reposicionado imediatamente, ainda no local do acidente. Caso tal conduta seja inviável, o leite é o meio de transporte de escolha, podendo o dente permanecer por até 4 horas sem prejuízo do prognóstico.A água não é o meio de transporte ideal, só deve ser usada em último caso e, se assim for, somente é considerado prognóstico favorável naqueles casos em que o dente não ultrapassou em 1 hora neste meio. Nos casos de fratura da coroa é importante que se encontre o fragmento para que seja entregue ao cirurgião-dentista, possibilitando a colagem do mesmo. A higiene bucal com escovas dentárias macias e a limpeza com solução de clorexidina a 0,1% é necessária após o trauma dental para prevenir o acúmulo do biofilme dental e melhorar o prognóstico no trauma dentário.

É de extrema importância lembrar que a  negligência em relação ao tratamento odontológico após o traumatismo dentário pode ter como consequência alteração de cor, mobilidade, alteração de posição na arcada dentária, sintomatologia dolorosa, sensibilidade, reabsorções radiculares ou óssea, necrose e perda do elemento dental, os quais podem acarretar dificuldades de convívio social, baixa autoestima das crianças e problemas de relacionamentos futuros, principalmente pela ausência do elemento dentário

(Referência: Urgências em traumatismos dentários: classificação, características e procedimentos Dental traumatism urgencies: classification, signs and procedures – Mariane Emi Sanabe, Lícia Bezerra Cavalcante, Cármen Regina Coldebella, Fabio Cesar B. de Abreu e Lima; imagens – http://www.clinicaocxo.com.br/2011/espaco-paciente.php; http://2.bp.blogspot.com/_dQ93dYZmiVo/SwK1ZsA7VgI/AAAAAAAAANA/6BTz6EzKYPw/s1600/traumatismo1.png; http://www.odontoblogia.com.br/o-que-e/traumatismo-dentario/)

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